A Zinha meditando sobre Black Rock City.
Black Rock City (acima).

 

 

 

Eu nasci no Canadá, por acaso. Meus pais são de Salvador e eu passei minha infância e adolescência viajando entre a Bahia e Minas Gerais. Há mais de 10 anos que resido em São Paulo. Sempre que me perguntam de onde eu sou, me vejo titubeante. Mas em Agosto agora, descobri que posso dar uma resposta mais direta para a pergunta que, até então, me deixava desconcertada. Eu sou de Black Rock City, a cidade temporária que surge no deserto de Nevada, EUA, anualmente, e que também poderia ser uma obra de ficção do Ítalo Calvino em seu livro "As Cidades Invisíveis". Aliás, uma leitura fantástica na mais exata ascepção da palavra.

A primeira vez que ouvi falar no Burning Man foi quando eu estava mochilando pela Europa, logo depois de me formar, em 1997. Eu tinha muitos amigos "moderninhos" que falavam sobre a torre da Helco num evento em que o diabo aparecia para comprar o Burning Man das mãos do próprio Larry Harvey (o fundador do Burning Man). Este teatrinho rolou no anterior, quando o evento fazia 10 anos. Apesar de toda esta falação, eu não dei muita bola e continuei com minha viagem, rodei a Europa inteira, fui à África e ao Oriente. Cresci muito naquela viagem de vários meses ao redor do Mundo, estive em lugares incríveis, vi coisas impressionantes e conheci muita gente interessante, inclusive uma brasileira que é uma grande amiga até hoje, a Lalai, cada dia mais famosa na noite paulistana. Foi neste ano que freqüentei raves de 20 horas seguidas, no interior da França e em bibocas modernosas na Alemanha e Inglaterra. Puta experiência, mas eu queria usar a viagem também como lastro pro meu trabalho, então, como boa taurina, pus os pés no chão e fui conhecer os zoológicos e a fauna silvestre dos outros países que estavam no meu roteiro.

A vontade de ir ao Burning Man nunca desapreceu neste intervalo, só me faltava conjugar tempo, dinheiro e disponibilidade. Sempre me lembrava do que me falavam do festival quando eu via menções ao evento em revistas ou em sites. Então no final de 2006 eu comecei a separar uns dias na minha agenda de 2007, comecei a juntar grana e a rezar muito para que nenhuma flutuação da economia global colocasse o dólar a quase R$ 4,00. Tudo estava indo bem, até meu namorado dizer que não poderia viajar comigo, ele é baterista e no período da minha viagem, teve que cumprir com outros compromissos. Falei que eu poderia ir sozinha, mas não queria deixá-lo triste. Ele não é tão ciumento assim, por outro lado, sabe que o Burning Man é um troço, digamos, "perigoso". Só relaxou quando eu disse que uma amiga nossa também iria junto. A Zinha, que fez veterinária comigo e com quem, no tempo da faculdade, eu mantive uma amizade colorida. Ele achou ótimo, e até me deu uma espécie de "carta branca" dizendo não considera traição se eu beijar amigas nossas (frisou bem o "amigAs"). Hahaha, homens! Realmente, ficou muito mais tranqüíla a situação. Black Rock City, aí vou eu!!!

Meu contato na gringa era o Gerald, amigo que conheci no ano passado (2006) em Barcelona, num congresso de veterinária, ele é representante de uma empresa que faz mini-guindastes para transporte de cavalos (pegar o animal anestesiado e colocar na mesa de cirurgia) e super frequentador do Burning Man há alguns anos. Ele e a mulher, Laura, moram em São Francisco, EUA, nas horas vagas são artistas plásticos e tatuadores em horas ainda mais vagas. Marcamos de nos encontrarmos em Reno, o último ponto de civilização antes do deserto. Eu disse que ia levar uma amiga, e a Laura achava que eu me referia a um eufemismo de "ficante", ou seja, um homem. Ela tinha plena convicção que "Zinha" era o nome dele, deu pra ver o alívio na expressão dela quando viu que a Zinha era uma mulher franzina. Cara, Reno me lembrou Springfield, dos Simpsons. É uma cidade do interior, os habitantes andam e falam como se estivessem sendo filmados, com um andar e um semblante que diz "sim, é isso mesmo, é assim que eu gosto de andar". Ou talvez as expressões corporações e assuntos de conversas que vi sejam apenas uma resposta à visita de Bush à cidade, pouco antes de eu ter chegado lá. Enfim, eu não queria tirar conclusões equivocadas sobre o lugar nem sobre seus moradores, foi só uma primeira impressão, as coisas estavam "diferentes" mesmo. Ah, a Zinha não viajou comigo porque eu saí de Curitiba direto pra lá, e ela partiu de São Paulo. Aliás, saiu da minha casa: pedi a ela pra passar lá e pegar algumas coisas que eu não pude ou simplesmente me esqueci de trazer comigo, quando fui a Curitiba.

De Reno a Black Rock City são cerca de 2 horas de carro. Lá, as pessoas me cumprimentavam com "welcome home", e isso realmente começou a fazer sentido pra mim, mais do que apenas um cumprimento, ao longo dos dias até o final do festival, quando se tornou quase que uma constatação. Eu sou de Black Rock City. Esta é uma cidade especial, imagina um lugar cheio instalações artísticas interessantíssimas, formigas gigantes, cavaleiros jedis, arco-iris duplos, mulheres humanas traindo seus maridos robôs e uma alteração do tempo impressionante. Não falo do clima, nem de simulações de estética futurista ou art-decó, me refiro ao tempo mesmo, à inclassificável característica de todas as coisas, o visgo da existência. Lá, as horas são usadas para especificar lugar e não o tempo. Porcausa do formato circular da planta de Black Rock City, as ruas radiais têm o nome das horas, conforme "se encaixam" num relógio de ponteiro, e as ruas concêntricas se chamam (do centro para a borda) Esplanade, Arctic, Boreal, Coral Reef, Desert, Estuary, Fresh Water, Grassland, Habitat, Intertidal, Jungle Kelp Forest e Landfill. Então quando você fala que vai ter uma rave no Coral de Recife às 4:30, você está dizendo onde a rua Coral de Recife se cruza com a rua 4:30. Quando essa rave vai acontecer??? Cara, não importa, esta pergunta é um grão da areia no solo do deserto, e o Burning Man acontece em cima disso tudo. Areia que resseca o visgo e lhe dá rachaduras de acesso a outras dimensões.

 

Queimaram o homem !
O nome Burning Man ("homem em chamas", livre tradução) refere-se à queima da estátua de um homem erquido a sei lá quantos metros, mais de 15 com certeza, feita de mateira e aço, no centro de Black Rock City. A origem deste "ritual" remota ao ano de 1986, quando seu fundador, Larry Harvey, foi traído pela namorada e, totalmente enlouquecido e de porre, construiu um homem de madeira que representava o pivô da traição e tacou fogo nele. No ano seguinte, ele repetiu a brincadeira, desta vez com alguns amigos e amigos dos amigos presentes apenas pela farra. Isso rolava em Baker Beach. No ano seguinte, a mesma coisa, desta vez com muito mais gente. Porcausa da concentração de pessoas, nos anos seguintes as autoridades sugeriram a mudança do evento para o deserto de Back Rock, onde acontece até hoje. Tudo isso é fato, exceto o motivo real da primeira queima. Larry Harvey diz, hoje, que a queima do homem representa um ato libertário e espontâneo de arte. A história da traição virou mito.

Eu esperava a queima do homem para o último dia do festival, e perguntava sobre a queima do templo ("Temple of Forgiveness", onde as pessoas deixavam pertences e fotos de amigos e familiares que se foram, escreviam mensagens e desenhos que gostariam de deixar no passado. A destruição do templo nos faria lembrar que as coisas se vão e que este é o plano do Cosmos para tudo e para todos), mas me disseram que o templo seria queimado no último dia e que o homem seria destruído antes, no dia 30 de Agosto.

Pois bem, em noite de Lua Cheia as coisas ficam meio estranhas, certo? No Burning Man, numa noite em que também estava programado um eclipse lunar, dia 27 de Agosto, alguma coisa estava no ar, as pessoas sentiam alguma coisa diferente. E a coisa aconteceu: queimaram o homem antes da data marcada! Posteriormente soubemos que Paul Addis havia acendido o boneco em protesto contra o formato "disney hippie" em que o Burning estava se transformando. Quando a coisa aconteceu, ninguém entendia nada. Aliás, tinha gente entendendo demais: atribuindo o fogo prematuro ao eclipse lunar, ao alinhamento dos astros. Bom, a Lua estava vermelha, realmente. Podia ser irônico, e também bonito, me permiti ler isso. Mas não consegui embarcar no restante da maionese.

 

(acima) A Laura com uma máscara, porque nossa atmosfera é fatal para as pessoas do seu planeta. Atrás dela, o "Temple of Forgiveness" ("Templo do Perdão", tradução livre). De todas as grandes queimas que acontecem no Burning Man, a do templo é especial: uma estrutura grande, em chamas, cercada por milhares de pessoas concentradas, ninguém grita, não há torcida, ninguém dança, ninguém conversa, é um silêncio e um cheiro de incenso que se espalha por tudo. São milhares de pessoas lacrimejando (eu inclusive) observando e sentindo um espetáculo impressionante.
(acima) Eu imitando o Big Rig Jig.

 

Eu falei com Deus
No Brasil, se alguém me pergunta se eu quero ter uma coversinha com Deus, morro de medo, fecho o vidro e acelero. Mas no Burning Man, esta oferta passava longe de ser uma ameaça ou piada. Ficamos curiosas, eu e a Zinha, quando um cara comentou que havia uma cabine telefônica entitulada "talk to God". Nós estávamos pintando as roupas de participantes com tinta fluorescente, das pessoas que apareciam naquele acampamento (não era o nosso, e eu nem me lembro esxatamente qual era). Enfim, olha que loucura, quando apareceu o cara falando da cabine telefônica, dissemos para as pessoas aglomeradas ali, umas 5 ou 6, que íamos ver a cabine. Sabe o que aconteceu em seguida? 3 destas pessoas, isso mesmo, três tiraram suas roupas, nos entregaram e disseram que iam voltar pra pegá-las depois, e saíram andando nus pelo deserto!!! Primeira lição: no Burning Man as roupas têm tanta importância quanto as horas: nenhuma! Fomos ver a tal cabine, claro que vestidas, não que tivéssemos medo de ofender o Criador com nossos corpos nus, mas porque fomos com nossas bicicletas. Biciletas estas cobertas com poeira e areia do deserto. Nós duas pedalamos pouco mais de 40 metros e topamos com um carro-dragão, lindo, cheio de gente, que serviu para nos agarrarmos nele enquanto nos puxava na direção que queríamos. Este veículo-mutante também dava carona a um casal nu que tinha tatuagens complementares e que se irradiavam de seus sexos. Putz! Olha que coisa interessante, uma terceira tatuagem se formavam quando eles trepavam, quando suas tattoos se uniam. Não vi isso, mas eu podia imaginar. Coisas que só o Burning Man tem... Não perguntei se eram tattoos de henna, porque naquela ocasião isso não passou pela minha cabeça, me pareceu a coisa mais natural do Mundo um casal ter aquelas tattoos complementares. Apenas troquei algumas palavrinhas com eles, durante o trajeto. Uns caras olhavam pra gente, viam duas garotas de bicicleta, e diziam que o "Critical Tits" era na outra direção. Eu não entendi nada, pensei que eles estava dizendo que eu estava com "farol aceso" e apontando numa direção qualquer, sei lá, desconsiderei... Comentei com uma das moças do veículo-mutante no qual estávamos segurando que íamos falar com Deus e a moça me disse que ia dar uma dica ótima pr aisso (em inglês, "tip") e me passou uma garrafinha com uma "água", peguei, bebi dois goles e devolvi. Esperei pela dica, olhei pra ela, que sorriu e perguntou se eu gostei. Ahhh, não era dica, ela estava me dando um chá (em inglês, "tea")!!! Meu Deus, um chá para falar com Deus, seria isso que a moça entendeu das minhas palavras??? Enfim, o carro-dragão parou para que os caroneiros descessem e eu e a Zinha fomos à tal cabine telefônica pedalando mais algumas dezenas de metros. Vimos uma cápsula espacial próxima, ficamos de ir lá depois do telefonema, eu estava muito curiosa com a cabine e tinha algumas coisinhas pra falar com Deus, hahaha! E mais outras pessoas passaram correndo por nós, gritaram que o Critical Tits era pra lá, e apontavam numa dureção, queriam que nós duas fôssemos para o tal do "Critical Tits", eu não sabia que cazzo de evento era esse... enfim, na cabine telefônica você podia ler a inscrição "talk to God" ("Fale com Deus"), estávamos lá, finalmente.

Tirei o telefone do gancho e deu sinal de linha. Alguém atendeu e minhas pernas tremeram. Hihi, brincadeira, não tremeram, alguém atendeu e eu falei desleixadamente, já com meio riso na boca: "Deus, passa para Jesus, por favor?" e Ele respondeu sem demora: "Madalena? Nossa, quanto tempo, darling... Jesus não está aqui, ele foi ao Center Camp, quer deixar recado?". Putz, Deus é - me perdoa a piada involuntária - muito espirituoso! Entre pedidos e agradecimentos muito divertidos, rolou um negócio que realmente mexeu comigo, e aí foi participação de Deus, o Original, não o cover. Eu perguntei a Ele sobre Sua onipresença, se ele poderia estar em todos os lugares do Burning Man ao mesmo tempo, e Ele me respondeu que sim, e que eu veria isso em breve. No momento me pareceu mais uma sacada genial do cara que falava do outro lado da linha. E era! Mas não só isso. Pouco depois de deixarmos a cabine, começou uma tempestade de areia que, comentavam, nunca havia acontecido em anos anteriores. Eu e a Zinha pedalamos até nosso acampamento e nos fechamos no nosso motorhome. Na mesma hora ela comentou comigo: "Olha Deus aí mostrando que está em todos os lugares ao mesmo tempo, Fê!". Meu, olha que momento, olha só que situação impressionante. E não acabou aí não. Quando a tempestade foi embora, apareceram dois arco-iris sobre Black Rock City. Cheguei a lacrimejar, fosse ou não fosse coincidência, a conversa que tive com Deus na cabine cerca de 1 hora antes ganhou outro sentido. Não duvido que do outro lado da linha fosse o autor daquela intalação, mas ao mesmo tempo tive certeza de que ele era uma ponte para Ele. Um cara fingindo ser Deus, sabendo que não estava enganando as outras pessoas e sem saber que talvez, por acaso, por dúvida e por certeza, pela beleza da situação e pelo meu desejo sincero, o rapaz ao telefone realmente estivesse servindo de intérprete entre a Terra e o Divino, respondendo às questões indizíveis que eu e todos nós temos sobre Ele.

 

Estendi, com a ajuda da Zinha e dos nossos amigos que também tinham voltado para se abrigar da tempestade, um tapete que devia pesar uns 200Kg (bem menos, claro, hehehe) em cima do teto do motorhome do Gerald. Subi e fiquei dançando lá em cima, como se estivesse diante dos portões do céu, tendo vertigens ao ver os dois arco-iris como se fossem um túnel em perspectiva. Conforme o sol ia se pondo, eu via minha própria sombra se locomovendo até ficar projetada na parede da montanha do outro lado do deserto. Porcausa da distância, havia um delay na luz, minha sombra se movimentava bem mais atrasada do os meus movimentos, uma puta experiência! Depois a Zinha me contou que eu estava sob o efeito de um chá meio "calibrado", hahaha! Realmente, eu não tinha apenas sangue correndo nas minhas veias. Além da areia alcalina que entra pelos olhos, circulava também um pouco de química de "alta performance".

Mais tarde, já a noite dentro do nosso motorhome, falei da minha experiência pro Gerald e ele disse que também teve certeza de que Deus existia, pois ele tinha ido ao "Critical Tits" naquele dia. Que diacho é isso??? Ele me explicou que em São Francisco tem um negócio chamado "Critical Mass", que é o encontro espontâneo de milhares de ciclistas que saem andando com suas bicicletas pelas ruas da cidade. Não há cliclista chefe, nem grupo abre-alas, nem organização hierárquica nem nada, apenas as pessoas sabem que dia vai ser isso e pegam suas bikes e mandam ver. No Burning Man existe uma versão do evento, o tal "Critical Tits", que é quando todas as mulheres de Black Rock City pedalam sem camisa fazendo a maior algazarra, gritando, levantando os braços, imitando barulho de motocicletas, etc. A comunidade masculina toda se mobiliza em torno do trajeto. As mais discretas fazem topless e pintam os seios com desenhos de flores e folhas. As mais ousadas pedalam com tudo de fora, com as duas mãos pra cima! Putz!!!


(acima) A Laura na instalação em que o artista fez uma escultura de si mesmo, vestiu a estátua com a mesma roupa que ele e se posicionou em frente a ela, colocando um vidro no meio. Quem é a estátua e quem é a pessoa? Mas mais do que isso, o interessante é que as duas imagens iguais dão a sensação de que o vidro é um espelho, mas você não consegue se ver, e aí é quando você reflete..
(acima) Eu no chão (com o indispensável glow-stick), ouvindo as vibrações do chão: garota de sardas fala tribo perto fogo próximo, hau!

 

Não queimem o petróleo, explodam-no !
Eu, enquanto veterinária, costumo brincar que luto pela extinção do petróleo e pela volta de cavalos como meio de transporte para nossas cidades. No Burning Man eu vi uma torre de petróleo gigantesca sendo adorada por 9 homens e mulheres de metal (também gigantes) que disparavam fogo de seus olhos, cabeça, mãos e coração. Dava pra ver de longe, pois a torre era ralmente muito grande, ficava um pouco afastada, quase na linha limite do território da cidade (o chão do Burning Man é chamado de playa). Uma garota, falando um inglês carregadíssimo com um sotaque irreconhecível, me falou que a instalação era uma encenação do futuro, quando humanos representava a adoração do homem pelo petróleo, e questionava o que faremos depois que as reservas mundiais se esgotarem, pois ao final do show, segundo diziam, a torre seria derrubada. Olha só! Putz, eu até tentei falar que eu estou esperando este dia, mas fui interrompida pelas conversas cruzadas das pessoas que estavam se aglomerando por ali, passando e distribuindo panfletos, outros convidando para alguma performance no Deserto, ou no Habitat ou ainda no Ártico, falando a hora, que eu não sabia se era marcação de tempo ou de lugar, hehe, tinha muito barulho, muita gente, muita informação. Enfim, estamos em frente à esta torre de petróleo, milhares de fogos de artifício são disparados, bolas de luz crescem no céu e se apagam com fade-outs de várias velocidades. Muito fogo, uma espécie de chuva de luz sai do chão e sobe sei lá quantos metros, muito mais alto do que a torre, bolas de fogo. Mais fogo, muito fogo, explosões aqui e ali e quando a coisa se acalma por alguns segundos, uma explosão gigantesca assombra todos os espectadores, quem não estava gritando, era porque não tinha voz (ou tinha ido parar em outro planeta com a explosão). Ou as duas coisas. Foi impressionante, eu nunca tinha visto uma coisa daquela. A explosão subiu no formato de um cogumelo nuclear !!! Lindo e aterrorizante ao mesmo tempo.

Depois disso, indo de carona até a Esplanada, sentada na garupa de um pequeno jipe (ou quadri-moto), todo enfeitado com glowsticks e luzes e colares de todos os tipos, passei por uma aglomeração de pessoas que assistiam duas cuspidoras de fogo manter uma mesma labareda acesa por cerca de 1 minuto. Enquanto uma cuspia e deixava acesa a chama, a outra virava de costas e bebia o combustível fornecido por um assistente. Então ela se posicionava e soprava o líquido antes da chama se extinguir. Elas se revezavam e não deixavam o fogo apagar-se. Super divertido! Deu até vontade de aprender a cuspir fogo.

 

(acima) Eu e o grande Stozhary, ele é uma entidade fugitiva da fé plêiade, vivendo na Terra há 40 anos. Em sua forma humana ele se chama Egidijus Rooney, filho de ukraniana com inglês e fez estágios com meu irmão nos States. E na adolescência fazia círculos em plantações em fazendas inglesas. Mundo pequeno.
A Amanda Fielding, a Zinha e eu. Este não é o robô da Amanda Fielding, esta é uma pessoa que se diz imbuída da mente da Amanda desde que fez uma trepanação seguindo as orientações do vídeo da Amanda furando a própria cabeça. Dentre as várias coisas que ela disse, quero deixar registrado que a trepanação não é necessariamente a abertura da terceira visão. Com a trepanação você consegue reduzir a pressão dentro da cabeça e isso aumenta o fluxo sanguíneo, desta forma você volta a ter aquela sensação de frescor ao experimentar a realidade. Perguntei o nome da garota, mas ela não quis dizer porque, segundo ela, iria atrapalhar a conexão com a mente da Amanda, a original. ...medo.

 

 

O que levar para o Burning Man:
Apesar do ingresso custar cerca de R$ 500,00, o Burning Man não te dá nem abrigo nem alimento inclusos neste preço. Você deve levar tudo o que você precisa para sobreviver no deserto. Coisas como:
- 6 litros de água por pessoa, por dia (para beber e usar na limpeza).
- litros de outras bebidas de sua preferência (leva uma quantidade superior a que você planeja beber, para presentear ou trocar com outras pessoas que você nunca viu na sua vida. Este é o espírito!)
- óculos escuros.
- sanduíches prontos, vários deles, enrolados individualmente em pvc e guardados na geladeira (nada de levar ingredientes para fazer seu sanduíche na hora, a menos que você queira ver seu patê temperado com areia, ou correr atrás do alface voador). Lembre-se de levar mais do que você precisa, ou você não conhece o tamanho da sua fome, ou para presentear vizinhos que elogiaram o cheiro do seu rango caprichado.
- barras de cereal.
- mais barras de cereal.
- 8 pares de meias (usos diversos, além do habitual, claro).
- camisinhas (usos diversos, além do habitual), a quantidade varia dependendo da sua disposição, da oportunidade e da necessidade.
- uma bicileta, câmeras (para pneus) sobressalentes e bomba (para os pneus também, não para explodir qualquer coisa).
- canetinhas para escrever em plástico, madeira, tecido e pele (e em papel).
- papel-alumínio (apenas em caso de cobrir as janelas do seu motorhome para dormir nele durante o dia).
- fita adesiva (usos diversos).
- spray nasal (para evitar inflamação nos narizes que respiram areia por dias).
- um cantil (para levar água com você sempre que se afastar do seu acampamento).
- lanterna e pilhas.
- glowsticks glowsticks ou qualquer penduricalho luminoso, além de serem ítens de ornamentação, são coisas importantes para se usar a noite. A menos que você queira ser atropelado. (pendura na sua bicicleta também)
- não reserva muito espaço pro juízo senão você pode perder muita coisa interessante que merece ser vivida, mas leva e mantenha sempre consigo o discernimento.

Não esquece dos ítens básicos como escova de dentes, pasta, copos, pratos, talheres, shapoo, condicionador, toalhas, roupas (prioriza as que tem bolsos com zíper), protetor solar, cremes para pele, hidratante labial e kit de primeiros socorros. Insetos não são um problema capital. Ao invés de repelente de mosquito, leva um repelente de areia alcalinma, se encontrar um, hihi!

 

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O que é isso? É arte. Fácil, não? Repara na estrutura lá no horizonte, por dentro desta "arte", a siloueta do "the man", é ele que foi queimado no meio meio do festival.

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The man, burning.

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Flor de Lótus, toda de aço. Muito bonita, passava uma sensação de força e de delicadeza ao mesmo tempo. Aquela enxerida ali fez esta pose quando viu que eu estava fotografando a flor, e ficou assim bem na melhor foto de todas, as outras ficaram desfocadas.

 
 
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